Era uma terça-feira qualquer. Mais uma daquelas manhãs em que o sol se esconde atrás das nuvens deixando claro que, talvez, fosse melhor ficar em casa. Mas, como de costume, as obrigações me chamavam às sete horas da manhã e era necessário encarar mais um dia cheio de pessoas e atividades. Tudo estava perfeitamente normal até o momento em que entendi o porquê da ignorância do povo brasileiro. E me refiro não a classes sociais, mas a todas as pessoas que habitam esse país tão cheio de cultura e ao mesmo tempo tão vazio de idéias. Fui tomada por um sentimento de tristeza e melancolia.
Aula de redação: a professora distribuiu um texto sobre o tão polêmico tema da mudança ortográfica do português. Assunto interessante e, na minha opinião, importante de ser discutido. Porém, o que aconteceu não foi isso. Durante a leitura de todas aquelas palavras embaralhadas e opiniões diversas de pessoas que tem conhecimento suficiente para fazê-las, a professora mandava sublinhar palavras pouco usadas na forma coloquial; nada de muito estranho ou difícil de se entender. Acabada a leitura a pessoa que ali está a ensinar e deveria ter o objetivo de fazer seus alunos pensarem por si só, argumenta que tais palavras sublinhadas deveriam ser guardadas para que pudessem ser usadas nas redações dos que ali estavam. Assim como, deveríamos usar argumentos já descritos no texto. Engraçado, não? Será que não seria de maior recompensa, ao invés de mandar-nos decorar palavras e opiniões, realizar uma discussão aonde todos pudessem pensar sobre o assunto e, a partir disso, elaborar a sua própria idéia?
A verdade é que a ignorância do povo brasileiro vem do ensino. Quando crianças e adolescentes, somos incentivados a ouvir o que o professor tem a dizer e tomar como regra qualquer frase dita. A coisa chega até nós pronta, já triturada e mastigada por alguém que, um dia, teve coragem de pensar. E se, ousamos discordar do professor, logo vem uma punição. Em momento nenhum, somos cobrados de criatividade, autoria, personalidade. Querem formar máquinas que saem todas com a mesma percepção de mundo e com as mesmas hipocrisias a dizer. Não querem que pensemos, afinal, isso pode levar a decadência de uma sociedade que se baseia em normas e conceitos ridículos.
E depois da escola, vem a faculdade. E de lá saem todos felizes com um diploma na mão! Um diploma que certifica a passagem pela lavagem cerebral e diz: "Podem confiar excelentíssimos, esse não oferece qualquer perigo." Tão ridículo... E mais do que ridículo, triste. Em épocas do Movimento da Contra-Cultura as pessoas eram consideradas mais ignorantes. Pois sinto informar que hippies, beatnicks e toda a massa jovem da época eram certamente muito mais inteligentes do que todos nós. Eles tinham coragem de pensar e impor suas idéias, sem aceitar tudo o que lhe era imposto, selecionando aquilo que deveria ou não ser ouvido.
O mais triste é saber então que a sociedade brasileira já está em constante decadência. Daqui a alguns anos voltaremos a ditadura e todos os seres humanos terão se transformado em robôs. E aí então, tudo será lindo e perfeito em um mundo de pessoas cegas, surdas, mudas e burras.
2 Comments:
Ainda bem que a minha família me salvou.. A alienação da escola nunca me atingiu, sempre aprendi a ler (ler mesmo), e selecionar idéias com critério e bom senso. Pena que com a grande massa nem sempre seja assim né?
Excelente reflexão, moça.
Welcome to Brazil!
;)
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