As mãos tremiam como se sentissem alguma brisa gelada passar por entre os dedos. Os pés caminhavam lentos, tropegos, na tentativa de evitar qualquer passo em falso que pudesse derrubar todo aquele sentimento. O corpo flutuava, como se estivesse envolto por alguma força sobrenatural que lhe deixava leve como uma pluma. O coração batia rápido, sem intervalos, sem calma.
Toda aquela vontade tomava conta de mim, dos meus sentidos, dos meus pensamentos. Inspirava o ar como se absorvesse toda a energia que aquelas pessoas ali, sentadas, tinham a sua volta. Ah, o nervosismo. Já não conseguia mais controlá-lo. Ele me acompanhava e acalentava por todos os segundos, a cada mudança de olhar. "Sutileza, aquele olhar. Arde, incomoda. Mesmo sem te ver. E não sai da minha cabeça".
Essa minha ânsia em sentir me fez sentir até o que os outros - que compartilhavam comigo de toda aquela magia - sentiam. Os olhares cúmplices entregavam o medo, a vontade, a felicidade de realizar algo tão esperado. Somente nós, ali, entendíamos tudo o que já havia sido feito. Todos os dias em que havíamos mexido com as nossas profundezas para conseguir, enfim, chegar a tamanha sensibilidade.
Porque para que a verdade seja mostrada e sentida, é preciso que haja verdade no que é mostrado e sentido. E nós conseguimos alcançar esse mundo lá, naquele dia, naqueles minutos em que tivemos todos aqueles olhares voltados para nós. Chegamos ao mundo dos sonhos, da mentira verdadeira, das sensações. Um mundo aonde tudo é possível, realizável e nós - simples seres humanos - podemos nos tornar o quê, ou quem, quisermos.
Afinal, o palco é minha casa. Meu lar. Nele durmo Micaela e acordo Flávia. Nele procuro pela dor e encontro o amor. Nele me encontro, reencontro, transformo, crio e recrio. Nele eu "Amo sempre. Mesmo quando busco um olhar que sempre se esvai. Que sempre se perde na confusão dos próprios pensamentos."
1 Comments:
Gostei muito da maneira como explicou tudo o que sentiu. Na apresentação foi impossível me distrair, a atenção estava pregada em vocês. Vocês passaram tudo o que tinham, com muita coragem. E não sei como foi o tempo em que tiveram que segurar todos aqueles sentimentos, mas cheguei à Casa da Cultura de braços abertos, com força para receber e aceitar tudo o que viesse, sabendo agradecer no final.
Acho bonitos os sonhos coletivos e individuais que o grupo tem, acho bonita a entrega total, a procura por respostas, a criação de perguntas. Acho também que isso ajuda muito a descobrir o que somos, todos, quem aplaude e quem é aplaudido. É auto-conhecimento... Auto-ajuda.
Parabéns, mais uma vez!
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